domingo, 9 de março de 2014

Diario de bordo: Angela Davis

Queridos,
Já faz tempo em que não nos reencontramos, e venho atualiza-los sobre as aulas do Claudinei Roberto. A três ou quatro semanas, ele passou um mini trabalho, que para mim, foi muito importante. Ele escolheu acredito que quatro ou cinco alunos, para falar sobre certos marcos da história. Eu fiquei com a Angela Davis, por escolha dele, e confesso que fiquei surpresa, não sabia quem era, já havia escutado sobre Malcon X, Luther King, mas Angela Davis não. O fato de eu não saber que é, mexe muito comigo que tenho uma grande cobrança comigo mesma para saber, a famosa curiosa (risos). No mesmo dia recordo de ficar até a meia noite pesquisando sobre ela, lendo, lendo, lendo. E venho hoje para vocês contar um pouco sobre ela, e passar para vocês. Boa leitura!




Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filósofa socialista estado-unidense que alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história americana.
Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Leitora voraz quando criança, aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes.
Na década de 1960, Angela tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras.
Em 18 de agosto de 1970, Angela Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, sequestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga dotribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco.
Durante o verão daquele ano, Angela estava envolvida nos esforços dos Panteras Negras para conquistar a apoio da sociedade a três militantes presos, George Jackson, Fleeta Drumgo e John Clutchette, conhecidos como os “Irmãos Soledad”, por terem sido aprisionados na Prisão de Soledad, em Monterey.
No dia 7 de agosto, Jonathan Jackson, o irmão de 17 anos de George, em companhia de dois outros rapazes, interrompeu de armas na mão um julgamento num tribunal na tentativa de ajudar a fuga do réu do caso que estava sendo julgado, o amigo James McClain, acusado de ter esfaqueado um policial. Jonathan e seus amigos se levantaram do meio da assistência na sala do júri e renderam todos no recinto, conduzindo o juiz, o promotor e vários jurados para uma vanestacionada do lado de fora. Ao entrar na van, Jackson gritou que queria os “Irmãos Soledad soltos até o meio dia e meia em troca da vida dos reféns”.
No tiroteio que se seguiu com a perseguição policial ao grupo, Jonathan e um amigo foram mortos pela polícia, não sem antes matarem o juiz Harold Haley com um tiro nagarganta e o promotor raptado ficou paralítico com um tiro da polícia. As investigações que se seguiram identificaram a arma de Jonathan como registrada em nome de Angela Davis.
Com sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e o FBI em seu encalço, Ângela fugiu do estado e desapareceu por dois meses, sendo alvo de uma das maiores caçadas humanas do país na época, acompanhada dia a dia pela mídia, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento de dezoito meses que se seguiu, colocou uma mulher negra, jovem, bonita, culta e politizada, assessorada por uma equipe brilhante de advogados, no centro das atenções da imprensa americana num paralelo que só seria igualado décadas depois pelo julgamento de O.J. Simpson. Nos longos debates na corte, não apenas o caso criminal envolvido veio à tona, mas uma grande discussão sobre a condição negra na sociedade americana foi travada. Manifestações diárias por sua libertação e absolvição aconteciam do lado de fora do tribunal e por todo o país, transmitidos ao vivo pela televisão.
Dezoito meses após o início do julgamento, Angela foi inocentada de todas as acusações e libertada. John Lennon e Yoko Onolançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.
Finalmente livre, Angela foi temporariamente para Cuba, seguindo os passos de seus amigos,os ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. Sua recepção na ilha pelos negros cubanos num comício de massa foi tão entusiástico que ela mal pôde discursar. De acordo com Carlos Moore, um escritor bastante crítico das relações raciais na Cuba comunista, sua visita ao país causou grande impacto entre a população negra num tempo em que expressões de identidade racial eram bem raras em Cuba. Suas credenciais revolucionárias permitiram aos nativos se identificarem de público com seus pensamentos, sem medo de serem taxados de contra-revolucionários pelo governo cubano.
Em 1975, fatos polêmicos também aconteceram, entretanto, como o discurso crítico feito contra Angela pelo dissidente russo Aleksandr Solzhenitsyn em Nova York, que lhe acusava de hipocrisia em sua simpatia pela União Soviética, ao não falar sobre as condições dos prisioneiros políticos em regimes comunistas e por ignorar uma carta de presos políticos tchecos perseguidos pelo Estado lhe pedindo ajuda, como celebridade comunista que era agora, para denunciar as condições em que eram submetidos na cadeia, sabendo-se, como ela, inocentes. A resposta de Angela, “eles merecem o que tiveram, que continuem na prisão”, foi bastante explorada pela imprensa na época.
Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos em 1980 e 1984 como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Partido Comunista americano, tendo votação irrisória. Continuou sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país.
Se considera uma abolicionista, não uma reformista prisional. Em suas palestras sempre se refere ao sistema carcerário americano como um complexo industrial de prisões; aponta como um das soluções para o problema a extinção do cumprimento de penas em presídios e como fator determinante da maioria de prisioneiros americanos serem de negros e latinos a questão da raça e classe social.
Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Bom, espero que tenham gostado, aprendido e que compartilhem. 



sexta-feira, 7 de março de 2014

O que significa Ónarìn Kojá?

Na nossa postagem anterior falamos sobre o projeto "A Journey through the African Diaspora" ( Uma Jornada pela Diáspora Africana) e as razões por se manter o nome em inglês e não traduzí-lo. Alguns confundem o nome do projeto com o nome do grupo, uma das razões é que o nome do grupo surgiu em função do projeto.


Até Julho de 2013 as atividades que discutiam as questões da lei 10.639/03 e a 11.645/08 estavam presentes no conjunto de disciplinas como Informática Educativa, História, Sala de Leitura, Geografia, Artes etc. Pensando em atender uma demanda por uma formação que pudesse envolver os alunos para além das disciplinas é que se organizou um conjunto de oficinas que propiciassem o aprofundamento das questões afro-brasileiras e indígenas aos participantes.
Com a aprovação do projeto "A Journey Through the African Diaspora" as oficinas passaram a integrar o conjunto de formação dos alunos participantes do projeto, assim criou-se o Ónarìn Kojá, nome sugerido a partir da busca pelos alunos na internet e livros, houve um oficina tratando da importância da cultura africana na formação da identidade brasileira e como a língua portuguesa brasileira havia incorporado muitas palavras africanas.
Os alunos encontraram palavras que davam o sentido da busca pela história de nossos antepassados, nossos ancestrais. Encontramos no dicionário de Yorubá - Português e no Yorubá-Inglês palavras como Ónà= Caminho, passagem, Rìn= Andar, Go on e Kojá = anteriormente, passado. Discutimos se deveríamos chamar de Rìn Ónà Kojá, Ónà rìn Kojá, Kojá Rìn Ónà ou Ónarìn Kojá. O grupo decidiu que seria Ónarìn Kojá uma licença poética das palavras em Yorubá para significar "Andando pelos caminhos de nossos antepassados" ou "Andando pelos caminhos do passado" ou seja, fazendo uma referência a busca pela identidade revisitando e resignificando os caminhos de nosso antepassados africanos. A contribuição dos povos africanos à formação da cultura brasileira foram fundamentais e para nossos alunos conhecer o passado, visitar a história da formação de nosso país e entender as razões e consequências da diáspora africana trazem novos sentidos a sua autoestima e identidade. A ideia é que os alunos que passaram por essa formação se tornem multiplicadores dessa experiência e conhecimento.

O que é o projeto "A Journey through the African Diaspora"?

Caros leitores e visitantes do blog, temos realizado muitas atividades no processo de formação do projeto "A Journey through the African Diaspora"e percebemos agora que muitos tem dúvidas sobre o que é o projeto, como surgiu, como ele se desenvolveu.
Bom, vamos lá!
O museu Afro Brasil em parceria com o Prince George`s African American Museum & Culture Center (PGAAMCC) apresentaram um projeto intitulado “A Journey through the African Diaspora"- (Uma Jornada pela Diáspora Africana) com a duração de dez meses e intercâmbio cultural para o programa Museum`s Connect Grant  da American Alliance of Museum`s. Esse projeto foi um dos 11 projetos selecionados e apoiados pelo Programa Museums Connect da American Alliance of Museums (Aliança Americana de Museus) e U.S. Department of State (Departamento de Estado dos EUA) essa é uma das razões para o projeto permanecer com o nome original inscrito no programa. 
O objetivo foi organizar duas equipes de estudantes do ensino médio de escolas públicas, professores e artistas do Brasil e dos Estados Unidos da América, para receberem uma formação cultural e artística e desenvolvendo estudos sobre o impacto e as consequências da diáspora africana em suas respectivas cidades (São Paulo - Brasil e o Condado de Prince George, Maryland – EUA).

       Em São Paulo a escola parceira é a EMEFM Vereador Antonio Sampaio DRE Jaçanã/ Tremembé, pertencente à rede municipal de ensino - SME/SP. Os dez alunos que integram o projeto desde o mês de agosto de 2013 formam o grupo Ónarìn kojá e participam de uma intensa programação de atividades, que tem como objetivo aprofundar conhecimentos e reflexões a respeito da história e das culturas africanas, em consonância com o previsto na lei 10.639.
              O projeto foi dividido em três módulos gerais que buscam dar a formação ao Ónarìn Kojá, o módulo “História e Cultura”: Tem por finalidade dar formação nos temas que envolvam a diáspora africana, suas causas e consequências na história do Brasil e Americana; bem como estimular a construção da identidade dos alunos envolvidos no projeto, Módulo - “Artes”: Tem o objetivo dar aos alunos ferramentas e instrumentos para produzir sua arte, por meio do conhecimento adquirido nas oficinas e estudos sobre arte produzida pelos negros no Brasil; e por fim Módulo – “Comunicação e Pesquisa”: Tem por objetivo capacitar e instrumentalizar os alunos para interagirem com os outros grupos envolvidos no projeto, também facilitar e ampliar os canais de comunicação a fim de reduzir os ruídos e conflitos caso ocorram.
Além da formação promovida pela escola, o Museu Afro Brasil proporciona aos estudantes:
  1. a)  Oficinas de produção artística
  2. b) Curso básico de inglês e cultura americana como parte da preparação para a viagem de intercâmbio
  3. c) Saídas a campo (visitas: diversos museus, especialmente ao Museu Afro Brasil; Irmandade dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário; Quilombo do cafundó)
  4. d)  Videoconferências: para diálogo e troca de experiências com os alunos da CVPA Suitland High School, Forestville , MD. EUA 

  5. Cada grupo, após esse período de formação e pesquisa, troca de informações irão organizar murais e exposições acerca do tema em suas comunidades. Apesar dos avanços sociais no Brasil, bem como a admissão da lei 10.639/03 que torna obrigatória a introdução da cultura africana e afro-brasileira no currículo escolar, o preconceito e o racismo estão presentes no cotidiano de diversos cidadãos, inclusive dos alunos envolvidos no projeto. Uma das formas de se combater o preconceito e o racismo é disseminar e valorizar os conhecimentos sobre a cultura africana e suas contribuições para a formação da identidade brasileira. Dado que o projeto abrange outro país com fortes contribuições da cultura africana e também pelos avanços e constante combate ao racismo (EUA), abre-se uma oportunidade enriquecedora para a troca de experiências, conhecimentos entre os agentes envolvidos compartilhando suas culturas e aspectos relevantes sobre as realidades de cada país.



quinta-feira, 6 de março de 2014

Andando pelos caminhos da São Paulo Negra e Cultural II


Somente para relembrar esse projeto é uma parceria entre o Museu Afro Brasil e nossa escola, o EMEFM Vereador Antonio Sampaio, o Prince's George African American Museum & Cultural Center, e a Suitland High School patrocinado e apoiado pela Aliança Americana de Museus via a Museums Connect e Departamento de Estado dos EUA.

Após a casa de Umbanda, ainda conversamos sobre os ritos e entidades das duas principais religiões afro-brasileiras suas diferenças e semelhanças."É incrível como as pessoas são ignorantes, eles não conhecem a religião e ficam xingando, dizendo que isso é coisa ruim, sem ao menos se perguntar de onde vem isso"- foi a fala do Lucas um dos integrantes do grupo Ónarìn Kojá.
Talvez seja um dos direitos humanos mais desrespeitados no Brasil, vemos programas de televisão incitando a violência contra, discriminando as religiões de matrizes africanas, principalmente por não compreenderem que a liturgia é diferente, se para as religiões ocidentais o sermão, ou o discurso filosófico é a maior parte da liturgia para as religiões de matrizes africanas é a teatralidade e a dança as partes fundamentais do ritual sagrado.
Nos encaminhamos para o Largo do Arouche visitar o monumento erguido em homenagem a Luiz Gama uma das maiores personalidades do movimento negro na história do Brasil, para saber um pouco mais sobre nosso "Malcom X, Martin Luther King Jr" brasileiro clique aqui. Prestamos um minuto de silêncio em sua homenagem e também em memória de todos aqueles que lutaram contra a opressão aos negros.
Luiz Gama ganhou notoriedade por suas convicções políticas, um dos primeiros autores a trabalhar com o conceito de negritude, trazendo a mulher negra como musa em sua obra poética segundo o Jornalista Luiz Carlos dos Santos em seu livro publicado em 2010 pela editora Selo Negro intitulada "Luiz Gama: Retratos do Brasil Negro". Gama foi um advogado brilhante que conseguiu libertar mais de 500 escravos, um exemplo de luta com inteligência contra a opressão e o sistema escravocrata vigente no Brasil, segundo os relatos quando faleceu em 24 de agosto de 1882, uma multidão de amigos, libertos e escravos que tomaram o caixão em seus próprios ombros indo de um extremo da cidade ao levando até o cemitério da Consolação. A cidade parou para prestar suas últimas homenagens ao "Amigo de todos" estima-se que cerca de 4.000 pessoas acompanharam o féretro pela cidade, São Paulo na época havia 40.000 habitantes. Para saber mais clique aqui, esse artigo possui diversas referências externas que podem contribuir para conhecer um pouco mais sobre esse personagem da história brasileira.


A seguir fomos para a galeria dos pretos, ou galeria do rock no centro da cidade, encontramos ali os primeiros salões de black power em São Paulo, possivelmente um dos primeiros lugares a tratar sobre a identidade negra e oferecer serviços para a concepção de beleza negra. O tratamento dispensado a todos os integrantes do grupo, mostrava que ali, todos eram bem vindos também como potenciais consumidores daqueles serviços de estética e moda.
Continua

quarta-feira, 5 de março de 2014

Andando pelos caminhos da São Paulo Negra e Cultural

Na última sexta-feira dia 28/02 fizemos uma das atividades mais incríveis ao longo desse processo de formação no projeto "A Journey Through the African Diaspora". Fizemos uma atividade de campo pela cidade de São Paulo.
Iniciamos nossa atividade na Estação Barra Funda em frente a obra de Emanoel Araújo intitulada "A Roda"
Fonte: http://artenalinha.files.wordpress.com/2013/12/obra-de-emanoel-araujo-credito-lucas-malkut-_-blog.jpg
Para se compreender as permanências, as influências e as presenças culturais dos povos africanos traficados para o Brasil a atividade iniciou-se com a explanação de Claudinei Roberto sobre as diferentes leituras que podemos fazer da cidade de São Paulo. Essas leituras são necessárias para se compreender o sentido de pertencimento a metrópolis, todos têm o direito à cidade, ser cidadão é participar da vida da cidade, ser livre para ir e vir a qualquer canto e fazer valer o seu direito, não apenas reivindicar um lugar na cidade, mas lutar para que esse direito seja respeitado por todos.
O grupo foi instigado a perceber o perfil dos transeuntes da estação Barra Funda, bairro conhecido pela presença dos negros e se questionar se a presença destes e de outros grupos em outras estações de metrô.
Fomos em direção a estação Marechal Deodoro e observamos as obras do artista plástico Gontran Guanaes Netto intitulados "o Povo e a Liberdade"
Fonte:http://4.bp.blogspot.com/-KYfO4HOtcLc/ToparPO1eFI/AAAAAAAAAK0/mg2nHrdcWpE/s1600/3.JPG
Fonte: http://tecituras.files.wordpress.com/2010/03/declaration-of-rigts-of-man-and-citizen-painel-4-1989.jpg
Houve uma reflexão sobre os quadros e a busca pela liberdade, depois nos encaminhamos para a Avenida Francisco Matarazzo em frente a estação, naquela avenida há uma obra urbana chamada Elevado Costa e Silva, conhecido popularmente como Minhocão, esse viaduto liga a zona oeste a partir do bairro das Perdizes a ligação leste-oeste na região da praça Roosevelt ou popularmente chamada praça ROSA.
Esse viaduto divide os bairros nobres como Perdizes, Higienópolis, Santa Cecília, Consolação dos bairros mais populares como Largo do Arouche, República, Luz e Bom Retiro.
São Paulo é a capital mundial dos grafites, muitos artistas procuram espaços na cidade para expor sua arte, é uma manifestação do movimento de arte de rua, do Hip Hop vindo dos EUA apropriado e adaptado pelos jovens de periferia, em sua maioria formada de negros e mestiços, mostrando a sua realidade, além dos grafites existe o pixo ou pixação, forma de manifesto e expressão dos sujeitos excluídos da dinâmica da cidade.
Se a divisão não é institucionalizada, ou seja, oficialmente dito aqui só temos sujeitos de classes mais ricas, na observação de campo fica claro a divisão social e étnica que ocorre na região, novamente fomos motivados a observar os transeuntes dessas regiões. Da Estação Barra Funda para a Marechal Deodoro e bairro de Higienópolis muita coisa mudou, além de haver uma redução significativa da presença desses sujeitos, o que foi observado é que quando apareciam estavam exercendo profissões de baixa remuneração.

A primeira leitura promovida da cidade é de uma metrópole que exclui e divide os seus cidadãos, mas foi necessário descortinar o véu para perceber as contribuições do negro na construção de São Paulo.
No bairro de Higienópolis atualmente vive cidadãos de origem Israelense em sua maioria praticantes do judaísmo, no mesmo bairro abriga uma casa de gafieira antiga, conhecida como Clube Piratininga, a gafieira é um gênero musical de ritmos de raízes africanas como o batuque e o lundu, difundido nos morros e bairros cariocas como Gamboa e Saúde no século XIX, ganhou populariedade nos diferentes salões de dança incorporando outras danças como o Maxixe, a Polca, o Xote e o Lundu, essa dança também inspirou os ritmos do Samba carnavalesco e urbano.
Seguimos para o Santa Cecília e paramos em uma casa de Umbanda, são lojas que vendem artigos ligados as religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda.
Foi explicado a diferença entre os EUA e o Brasil e as possíveis razões de não haverem casas como essas por lá, também foi explicado sobre o significado da palavra "Orixá"- Ori = Cabeça, Xá = protetor, aprendemos sobre os processos de discriminação das religiões de matrizes africanas, bem como o Orixá Exu, ou Òrìsà Esù que foi associado pelos religiosos europeus ao diabo num processo de exclusão. Esse Orixá em algumas regiões da África está ligado a fertilidade e sua simbologia é o falo, objeto proibido nas religiões européias dos séculos XV.
Continua